Más notícias para a livre expressão e informação

Duas coisas chamam a atenção na edição de hoje da "Folha de S.Paulo", nenhuma dada em destaque. Chamam negativamente a atenção de quem busca a liberdade de expressão e o direito à informação.

Uma delas: Julian Assange, do WikiLeaks, vazou documentos sem edição, comprometendo suas fontes. Difícil imaginar que, em curto prazo, novas fontes possam surgir. E, como sempre, erros como este reforçam a ideia de que o indivíduo corre grandes riscos ao divulgar informações confidenciais. Erros que acabam incentivando o egoísmo e prejudicando o fluxo de informações que devem ser públicas e não o são. Leia aqui.

Outra está no artigo de Rogério Meneghini, líder do projeto SciELO, de revistas científicas, dizendo que as revistas brasileiras não têm qualidade porque não têm verba. A solução, para ele, seria que as revistas passassem a cobrar para publicar, possibilitando uma profissionalização da administração. Seria mais ou menos como dizer que um jornal ganharia qualidade ao aumentar o preço de capa, sendo que seriam os mesmos jornalistas a escrevê-lo todo dia, apesar de liderados por um sujeito que passaria a ser remunerado (que seria o mesmo, ou um outro, possivelmente pior, dado que não faria o serviço pelo prazer, mas sim pelo dinheiro). Os blogs e a dinâmica da internet estão aí para mostrar que qualidade de informação e dinheiro não têm tanta correlação quanto se possa achar inicialmente (o WikiLeaks é ótimo exemplo). Em suma, a ideia de Meneghini iria dificultar a vida de quem não pesquisa dentro do paradigma vigente, bem como aumentar os custos dos projetos e inviabilizar pesquisas independentes, especialmente nas áreas de ciências humanas, em que projetos e grandes verbas não são sempre necessários para se fazer pesquisa de qualidade. Iríamos nos igualar ao "primeiro mundo", onde a ciência vem mostrando claramente que qualidade, independência e ética não combinam com interesses financeiros. Lamentável. Leia aqui.

Péssimas notícias e opiniões para a liberdade de expressão e de informação.



Escrito por Prof. Perdigão às 21h42
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Greve nas federais: a dinâmica dos atores (traidores?)

A UFT, como eu já disse aqui, foi a primeira universidade federal a ver os docentes entrarem em greve neste 2011, ainda em junho. Parabéns à Sesduft, mais uma vez.

A entidade sindical nacional à qual a Sesduft se vincula é uma. Docentes de algumas outras universidades, na maioria mais antigas, são representados por outra.

Até há pouco, as duas entidades tinham diferença na combatividade porque, nas universidades novas, como a UFT, os docentes são mais novos na carreira e têm salários menores, menos benefícios, piores condições de aposentadoria futura etc. Piores condições exigem lutas maiores.

Mas não foi o que se viu na última sexta-feira, reunidos o governo e as entidades sindicais. Na ocasião, dizendo-se representantes reais dos anseios dos docentes, ambas as entidades aceitaram a ligeira correção de 4% nos salários brutos, o que não cobre as perdas inflacionárias do período. O aumento líquido? No meu caso particular, será de 2,92%. Não cobre sequer o primeiro semestre de 2011! E isso, só para março de 2012, certo?

A questão é a seguinte: os professores do nosso sindicato nacional estavam convictos de que o acordo não seria assinado. Afinal, as bases se opõem a ele, em geral. Isto fica claro quando lemos os comentários dos docentes colocados na própria página do sindicato. Ninguém pareceu acreditar no desfecho!

O que acontecerá? Não sei. Mas que a base considerou traição (peleguismo, mais exatamente) a posição do sindicato nacional, nem preciso dizer.

Pode ser que voltemos ao trabalho já, mas não por aceitar o acordo, e sim pela difícil sustentabilidade da greve diante da decepção. Decepção com o sindicato, decepção com o governo.

A educação segue sendo maltratada no Brasil.



Escrito por Prof. Perdigão às 02h59
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Ciência x crença

Drauzio Varella falava sobre a medicina, especificamente, ao escrever artigo para a Folha em 18 de junho último (assinantes podem ler aqui). Mas a mensagem pode ser generalizada para toda a ciência.

Como é possível que a crença se sobreponha à ciência em algumas áreas, quase sem restrições, e, em outras, similares, isto não aconteça, sob pena de se classificar de insano o sujeito que o faça?

Entenda melhor o que eu quero dizer lendo trecho do artigo:

"[...] A medicina é um ramo da biologia, ciência que se propõe a estudar os seres vivos e as leis que os regem, não é domínio da crença; não é religião.

Invejo os homens que consertam o carro que dirigem. Quebrou na estrada, eles pegam as ferramentas, abrem o capô e reparam o defeito. Para resolver uma emergência dessas é necessário conhecer mecânica, entender como as peças foram engendradas e saber repará-las. Nessa hora, quem acreditaria em medidas alternativas para ativar a energia vital do motor com gotinhas pingadas no tanque de gasolina de duas em duas horas? Alguém faria o carro andar apenas com a força do pensamento positivo?"

Com todo o respeito à fé: acredite na ciência. Especialmente naquela que já está sedimentada pela pesquisa e pelo uso. Ainda que a ciência tenha seus defeitos, estaríamos bem pior sem ela.



Escrito por Prof. Perdigão às 21h46
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Mais fácil entrar na faculdade sem completar o médio

Decisões judiciais recentes têm dado o direito a aprovados em vestibulares ou no Sisu a iniciar o ensino superior sem a conclusão do ensino médio.

Sou, e já disse aqui, favorável a uma aceleração dos estudos por superdotados. O Brasil engatinha nisso, e força talentos a desperdiçarem tempo em uma escola que raramente é eficiente e motivadora. Lembro-me de como foi motivador entrar na USP aos 17. Fiz ou quis fazer de tudo, só no primeiro ano: passei em Química, fui para o Ciências Moleculares, se não fosse isso teria concatenado Química com Direito no Mackenzie, matriculei-me no badminton, fiz curso de holandês (ou neerlandês) nas férias, busquei estágio em tudo quanto foi lugar, fui bolsista de iniciação científica, pedi optativas como Geologia, prestei Meteorologia, enfim, busquei tudo o que uma universidade como a USP permite e a escola, claro, não consegue oferecer nem em um vigésimo disso.

Pois bem. Uma vez que o Enem tem servido em termos absolutos para certificar alunos da modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos, antigo "ensino supletivo") no ensino médio, ele pode, sim, ser igualmente certificador do ensino médio regular, por que não? É o que alguns juízes têm entendido, bem como vêm usando outros argumentos para permitir, inclusive, que o aluno que passou para a faculdade sequer precise concluir o médio em concomitância!

E não é assim que deve ser? Se o Enem diz a alguns que seu conhecimento vale o certificado de conclusão do médio, deve dizer o mesmo a todos os que obtêm a mesma nota, independentemente de sua idade.

Se esse tipo de decisão virar moda e começar a atingir alunos que não são superdotados, parece que, finalmente, haverá motivos políticos para acelerar a reforma curricular do médio, quase ignorada pelo MEC.



Escrito por Prof. Perdigão às 02h50
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Orgulho de trabalhar na UFT, a única federal com docentes em greve

Os professores da UFT mostram que são vanguarda na luta pelo que é certo: lideram um movimento de greve desde junho, tanto por seus direitos quanto em apoio aos servidores técnico-administrativos, sendo que só agora, dois meses depois, as demais universidades federais começam a sinalizar meros indicativos de greve docente, depois de a presidente sancionar o orçamento de 2012 sem prever sequer a correção monetária de nossos salários, que também não foram nem serão reajustados em 2011.

O orgulho de trabalhar com gente que não se curva calada aos poderosos, esse ninguém tira de mim.



Escrito por Prof. Perdigão às 19h10
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Artigo de Boaventura + Entenda a greve da UFT

O caos da ordem

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS


Em Londres, estamos perante a denúncia violenta de modelo que tem recursos para resgatar bancos, mas não os tem para uma juventude sem esperança

Os motins na Inglaterra são um perturbador sinal dos tempos. Está a ser gerado nas sociedades um combustível altamente inflamável que flui nos subterrâneos da vida coletiva sem que se dê conta.
Esse combustível é constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância, o sequestro da democracia por elites privilegiadas e a consequente transformação da política em administração do roubo "legal" dos cidadãos. Cada um dos componentes tem uma contradição interna.
Quando elas se sobrepõem, qualquer incidente pode provocar uma explosão de proporções inimagináveis. Com o neoliberalismo, o aumento da desigualdade social deixou de ser um problema para passar a ser a solução.
A ostentação dos ricos transformou-se em prova do êxito de um modelo social que só deixa na miséria a maioria dos cidadãos porque estes supostamente não se esforçam o suficiente para terem êxito.
Isso só foi possível com a conversão do individualismo em valor absoluto, o qual, contraditoriamente, só pode ser vivido como utopia da igualdade, da possibilidade de todos dispensarem por igual a solidariedade social, quer como agentes dela, quer como seus beneficiários.
Para o indivíduo assim construído, a desigualdade só é um problema quando lhe é adversa; quando isso sucede, nunca é reconhecida como merecida. Por outro lado, na sociedade de consumo, os objetos de consumo deixam de satisfazer necessidades para as criar incessantemente, e o investimento pessoal neles é tão intenso quando se têm como quando não se têm.
Entre acreditar que o dinheiro medeia tudo e acreditar que tudo pode ser feito para obtê-lo vai um passo muito curto. Os poderosos dão esse passo todos os dias sem que nada lhes aconteça. Os despossuídos, que pensam que podem fazer o mesmo, acabam nas prisões.
Os distúrbios na Inglaterra começaram com uma dimensão racial. São afloramentos da sociabilidade colonial que continua a dominar as nossas sociedades, muito tempo depois de terminar o colonialismo político. Um jovem negro das nossas cidades vive cotidianamente uma suspeição social que existe independentemente do que ele ou ela seja ou faça.
Tal suspeição é tanto mais virulenta quando ocorre numa sociedade distraída pelas políticas oficiais da luta contra a discriminação e pela fachada do multiculturalismo.
O que há de comum entre os distúrbios da Inglaterra e a destruição do bem-estar dos cidadãos provocada pelas políticas de austeridade comandadas por mercados financeiros? São sinais dos limites extremos da ordem democrática.
Os jovens amotinados são criminosos, mas não estamos perante uma "criminalidade pura e simples", como afirmou o primeiro-ministro David Cameron.
Estamos perante uma denúncia política violenta de um modelo social e político que tem recursos para resgatar bancos e não os tem para resgatar a juventude de uma vida sem esperança, do pesadelo de uma educação cada vez mais cara e mais irrelevante, dados o aumento do desemprego e o completo abandono em comunidades que as políticas públicas antissociais transformaram em campos de treino da raiva, da anomia e da revolta.
Entre o poder neoliberal instalado e os amotinados urbanos há uma simetria assustadora. A indiferença social, a arrogância, a distribuição injusta dos sacrifícios estão a semear o caos, a violência e o medo, e os semeadores dirão amanhã, genuinamente ofendidos, que o que semearam nada tem a ver com o caos, a violência e o medo instalados nas ruas das nossas cidades.


BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS, sociólogo português, é diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal). É autor, entre outros livros, de "Para uma Revolução Democrática da Justiça" (Cortez, 2007).


Situação parecida a gente vê no Brasil, com a diferença de que os pobres têm seu voto comprado baratinho com auxílios do governo, perpetuando a cáfila. Enquanto isso, a classe média, que não tem bolsa-família nem vive de juros e de corrupção, vai sendo esfolada sem reclamar, porque não tem união, porque acha que fazer levante é coisa de bandido. Sim, é exatamente esta a visão que toda a imprensinha classe-média mostrou ao noticiar os levantes ingleses, no que foi respaldada pela maioria da classe média: basta perguntar ao vizinho.

É por isso que estou em greve, sim. Porque vamos para o segundo ano sem sequer correção monetária no salário. Enquanto isso, quem tem títulos do governo está rindo à toa: um sujeito com 600 mil reais em títulos federais ganha mais, em termos reais, do que eu, professor universitário com 26 semestres de graduação e 16 de pós-graduação no currículo, e quase 10 anos de experiência docente. Enquanto isso, o sujeito que ganha bolsa-família acha que está levando do governo mais do que está oferecendo. Enquanto isso, o parque Villa-Lobos, em São Paulo, está cheio mesmo durante a semana: em zona nobre da cidade, recebe os ricos que vivem muito bem, cada vez melhor, sem precisar trabalhar.

Quando será o nosso levante, o levante do Brasil? O que mais é preciso que (não) ocorra?



Escrito por Prof. Perdigão às 18h50
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Mais uma trapalhada da Folha... acabando com a vida do sujeito...

Mais uma da Folha, em destaque no UOL: fizeram reportagem com um preso do regime semiaberto que não quis se identificar, para não sofrer preconceito na universidade que cursa.

O que o "jornalista" da Folha de S.Paulo faz? Grava em HD o preso folheando certificados onde constam seu nome e RG de forma claríssima.

Fui no Google e não deu outra: é, de fato, nome e RG de um condenado cumprindo pena.

Sim, o "jornalista" expôs o cara, sem dó.

Depois o sujeito comum se revolta com "jornalistas" e seus métodos. Não é sem razão. Está cheio de caras que frequentam uma faculdade de 4 anos e fazem o seu trabalho como se não houvessem estudado.

Mais uma para agradecer quem acabou com a palhaçada ditatorial da reserva de mercado via diploma.

Torço para que não tenha havido consequências indesejáveis ao entrevistado.



Escrito por Prof. Perdigão às 22h51
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Para completar o post de 27 de julho...

Copiei o trecho abaixo de um artigo de Bob Moon, publicado em Educação & Sociedade. Trata da educação na Índia, o outro exemplo de qualidade no ensino dado pelo "especialista de educação" da Folha.

Mesmo em lugares onde há bons progressos rumo a uma taxa de escolarização de 100%, problemas de qualidade começam a surgir. A Índia, por exemplo, alcançou uma taxa de escolarização de mais de 93% no ensino fundamental (entre 6 e 14 anos) em torno de 2005, mas um estudo com mais de 330 mil crianças em 9.500 aldeias mostrou que 35% das crianças de nível I não conseguiam ler um pequeno parágrafo com frases curtas e 40% das crianças no nível V não sabiam ler um texto de nível II (uma simples história). Por outro lado, no ensino fundamental federal, 50% das crianças de nível II a V não conseguiam resolver um problema de subtração envolvendo dezenas e, em nível VI a VIII dessas mesmas escolas, 40% não sabiam resolver um simples problema de divisão (centenas por unidade) (Gandhi Kingdon, 2007).

Ou seja, a qualidade do ensino na Índia está caindo, não subindo. Se isso tem a ver com o bônus, não é possível saber. Por certo, só não dá para ficar enganando o leitor do jornal.



Escrito por Prof. Perdigão às 13h41
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Voto distrital não é solução

O Grupo Abril está favorecendo e divulgando campanha pelo voto distrital para assembleias e câmaras, pedindo assinaturas de apoio, enfim...

O problema é que, como tudo, há pontos positivos e negativos. E a campanha, obviamente, ignora os pontos negativos, que são muitos, e deforma os pontos positivos, fazendo-os parecer maravilha de outro mundo.

Hoje, cada estado elege coletivamente seus representantes. O eleitor não pode votar em um candidato de outro estado para a Câmara Federal. A ideia é a de que se reduza ainda mais o espaço, fazendo com que cada parte do estado eleja seu único representante.

O movimento diz que isso diminuirá o custo das campanhas. Falso. Basta ver que Roraima, o menor "distrito eleitoral" brasileiro atualmente, tem as campanhas proporcionalmente mais caras do país. A compra de votos fica facilitada: basta escolher o distrito mais carente.

O movimento alega que cada distrito eleitoral fiscalizará seu representante, de forma muito mais ativa do que hoje. Falso. O brasileiro não tem engajamento político e, pior, não se motivará a cobrar um político que não foi eleito por seu distrito.

O movimento diz que o político, hoje, não sabe quem o elegeu; logo, não sabe se defende o interesse da indústria, ou do comércio, ou do aposentado etc., e que isto ficará óbvio com o voto distrital: o político representa o seu distrito. Argumento ridículo. Qualquer análise de boletins de urna mostra onde estão localizados os votos de cada deputado. Da mesma forma, o deputado sabe quem financiou a sua campanha e sabe se deve ou não se curvar a tais interesses.

Passaríamos a ter, na Câmara, com a adoção do voto distrital, 513 deputados políticos profissionais. O sujeito mais articulado, mas não o mais honesto. Palhaços e jogadores de futebol não seriam mais eleitos, mas políticos honestos e menos hábeis na arte da politicagem também não teriam vez.

Mesmo pensando em um mundo mais ético do que o brasileiro, o voto distrital causa problemas. Na França, por exemplo, reformas para sanear as contas públicas não conseguem ser aprovadas, pois os deputados não querem desagradar às suas bases distritais, que não possuem esclarecimento suficiente sobre a necessidade de economia de recursos públicos. É óbvio que a conta vem depois.

Definitivamente, voto distrital não é solução. Solução é punição rápida e dura aos vícios de campanha, à corrupção e à defesa de interesses escusos. Solução é educar politicamente a nossa população, e não pedir dela adesão a um sistema ao qual não foi devidamente apresentada.

Neste sentido, essa campanha pelo distrital é tão suja quanto qualquer campanha política: o que vale é a adesão, não a verdade.



Escrito por Prof. Perdigão às 01h28
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